Comparar para confundir
“Já houve quem comparasse o direito ao casamento dos homossexuais e o direito à interrupção da gravidez, metendo tudo num mesmo saco, para acusar a esquerda de advogar uma «cultura de morte». (…) Outros – e outras – põem olhos em alvo, falam de compaixão, não querem nada com a política, dizem que as mulheres do povo não percebem a complexa (!) expressão «interrupção voluntaria da gravidez» pelo que é melhor falar-se-lhes só de «abortos». E pretendem criar um regime legal de excepção para as vítimas tresmalhadas que são as mulheres que abortam, de forma a que elas sejam apontadas a dedo, sim, como culpadas de uma acto pavoroso, mas poupadas às agruras da prisão – como diminuídas mentais que são. Outros ainda afirmam que concederiam votar a favor do direito à interrupção até as 10 semanas – desde que não fosse praticada nos hospitais públicos, para não prejudicar os doentes «a sério». Por esta ordem de ideias, haveria que arredar dos hospitais públicos: a) os suicidas falhados b) os fumadores com cancro do pulmão c) os diabéticos gulosos d) os obesos e) os alcoólicos com cirroses f) os doentes de sida que não tivessem sido contaminados por transfusão de sangue. E por aí fora. Como se faz? Instalam-se confessionários à porta dos hospitais e mandam-se os pecadores, em penitência, para clínicas privadas?”
Crónica feminina da revista Unica de 28 de Outubro de 2006
por Inês Pedrosa
5 Comments:
quem sou eu para criticar seja quem for e o que faz? é melhor olhar primeiro para mim mesmo antes de o fazer ou não vá cair-me em cima.
Eu penso, eu axo, eu faria... eu nada... Simplesmente não sou completamente a favor do aborto, depende dos casos, não vamos arranjar uma maneira das pitinhas "vadias" andarem a fazerem abortos a torto e a direito né? Quanto aos casamentos... Que perda de tempo... Um casamento é um contrato, ok, façam o contrato, mas numa igreja que aponta o dedo a gays como pekadores e manda-os todos para o inferno? Já repararam no ridiculo da cena?
andreia, é-me desagradavel ter comentarios aos meus comentarios disparatados por falta de atenção ao leres a minha opinião.
Antes de mais gostaria de felicitar a Cátia pelo óptimo trabalho que tem vindo a desenvolver neste blog.
Espero não me vir intrometer, mas ao deparar-me com tal tema confesso que me senti tentado a partilhar a minha visão sobre ele.
Mas não somente sobre ele, não me acho diferente de qualquer outra pessoa, mas reparo que o grande problema de todos estes temas polémicos reside no Homem e na sua sociedade.
A nossa sociedade dotada de tanta inovação parece não estar à altura de resolver alguns desses mesmos temas polémicos.
O Aborto é um deles, devo confessar que acho um pouco sinistro senão mesmo grosseiro o modo de como este tema é retratado.
Em primeiro lugar, desde o 25 de Abril que supostamente o cidadão (m/f) português teria direito a sua liberdade, mas afinal o que é a liberdade?
Há quem julgue que a liberdade de uma pessoa acabe onde começa a liberdade da outra, sendo assim que direito tenho eu de criticar ou até mesmo comentar algo que só diz respeito às Mulheres? RESPOSTA NENHUM
Da mesma maneira que ninguém tem o direito de negar a morte de outra pessoa que esteja a sofrer e que queira acabar com a sua dor recorrendo à eutanásia.
Voltando ao Aborto, reforço a minha opinião de que este tema só diz respeito às Mulheres, pois são elas que carregam durante 9 meses uma criança no seu ventre e como já todos sabem aguentam toda a dor e responsabilidade que uma gravidez acarreta.
Fugindo um pouco ao que disse anteriormente, acho que o aborto devia ser legalizado e realizado em hospitais públicos, mas até um período estabelecido por lei e que se consiga comprovar que não se trata ainda de uma criança.
Estarei eu certo ao obrigar uma mulher a desenvolver uma gravidez sendo essa gravidez, o resultado de uma violação por exemplo?
Sejamos sensatos, tanto a prostituição como o aborto e mais outras actividades por mais que sejam ilegais vão sempre ser realizadas à margem da lei, sem o mínimo de condições e pondo em perigo muitas vidas, ou seja nesse caso morrem pessoas à mesma, no fundo não é isso que queremos evitar???? Mortes????
Como católico que sou, e como cego que não sou, rego-me pelo bom censo e considero que a Igreja está longe de ser um símbolo de autoridade ou de penitência, para quem não sabe a Igreja ao longo da história matou e chacinou mais pessoas que os próprios nazis, através da inquisição, sobretudo MULHERES, CIENTISTAS E HOMOSEXUAIS.
Sou da opinião que cada um faz o que quer, mas hoje em dia cada um quer fazer o que quer sem respeitar nada nem ninguém.
Cada um pode ter relações sexuais com quem quiser do mesmo sexo ou ate de sexos diferentes (e porque não? já que ate com animais fazem).
Eu sou diferente da maioria das pessoas, não tenho problemas com isso e tenho muito orgulho no que sou (interpretem-me como satânico ou gótico, não quero saber) mas não posso obrigar ninguém a aceitar-me ou a aceitar o que sou porque nesse caso estaria a violar a liberdade de outra pessoa.
A Igreja obedece a parâmetros específicos certo? E se nos gostamos que nos respeitem temos de respeitar os outros, logo temos de respeitar aquele círculo da igreja e as suas teorias para que eles nos possam respeitar a nós.
Então porque é que muitas pessoas criticam a igreja sobre o aborto ou sobre a morte medicamente assistida ou até mesmo sobre casamentos entre pessoas do mesmo sexo?
Não podemos simplesmente entrar no mundo de outras pessoas e obriga-las a aceitarem-nos, obriga-las a ver-nos como nós queremos, pois isso é errado e tem um nome muito feio “DITADURA” pois obedece aos mesmos parâmetros (obrigar a aceitar, impor, desrespeito pela opinião dos outros, desrespeito pela vontade dos outros, obrigar alguém a ver o nosso mundo tendo eles o direito de não o querer ver)
só para dizer k hoje vi lá nas pilhas de revistas passadas da clínica o artigo que aqui coocas um excerto. menino pássaro... vamos lá a ter calma pois não havia razão para se enervar por tão pouco e menino da cruz no nome... que belo comentário sim senhor. eu hoje não estou nos meus melhores dias. complicações que só quem tem os ossos do meu oficio pode saber o que é sofrer de alguns tipos de reumático. al´me de que estou de directa desde os ultimos comentários que fiz. já tou mesmo hiperactivo pois deitei-me e não consegui dormir.
Enviar um comentário
<< Home